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‘Os traumas da hiperinflação estão sendo deixados para trás’, diz ex-diretor do BC sobre acordo

Tudo que se refere aos tempos da hiperinflação no Brasil tem números assombrosos. O Plano Real colocou fim àquela época pavorosa da economia brasileira, mas não tinha, até agora, conseguido aplacar todos os traumas do passado. Depois de 24 anos e quase um milhão de ações na Justiça, saiu um acordo entre poupadores e bancos para o pagamento de indenizações pelas perdas com os planos fracassados e irresponsáveis.

Os planos Bresser, Verão, Collor 1 e Collor 2 foram adotados no país nas décadas de 80 e 90 para combater o enorme dragão inflacionário que devorava a renda dos brasileiros. O Collor 1 teve a pachorra de confiscar a poupança de milhões de pessoas da noite para o dia, como se sequestrando o dinheiro das contas, o consumo seria controlado e a inflação cederia!! Eles desafiaram com burrice e violência uma regra básica de combate ao processo inflacionário: ao invés de encarecer o dinheiro e inibir a demanda, retira-se a moeda de circulação!  

“Os traumas da época da hiperinflação estão sendo deixados para trás, apesar de toda a reclamação de taxas de juros altas que temos no Brasil. Essas perdas eram uma sequela grave e acho que este acordo foi um final feliz. A gente não quer mais saber de hiperinflação. Nós temos este trauma, a opinião pública não suporta mais políticas inflacionárias. Nós agora podemos encerrar este capítulo da nossa história e vamos trabalhar para acertar as contas públicas”, disse ao Blog o economista Carlos Eduardo de Freitas, ex-diretor do Banco Central.  

Mais de três milhões de pessoas poderão ser beneficiadas pelo acordo firmado pela Advocacia Geral da União (AGU), poupadores, bancos e entidade de defesa do consumidor. Ainda falta bater um martelo final para liberar o acesso ao dinheiro para quem comprovar que tinha ações judiciais. Falta esclarecer como ficarão aqueles que não procuraram a Justiça, mas têm como comprovar que tinham conta no banco e perderam com os planos. O pagamento total previsto chega a R$ 10 bilhões.

“Eu entendo que o acordo não abala a estrutura do sistema bancário brasileiro, que é muito sólido, é muito bem capitalizado. Os bancos terão uma despesa adicional que pode afetar patrimônio liquido, mas nada que não seja absorvível pelo sistema. A parte prudencial foi bem cuidada pelo Banco Central, por isso não vejo nenhum risco para sistema bancário, principalmente se houve um parcelamento do pagamento”, ressalta Carlos Eduardo de Freitas.

O Plano Real, implementado em 94, foi o único que deu certo e conseguiu debelar a inflação galopante. O Plano teve várias diferenças dos outros, mas duas valem destaque: a transparência do processo e a adoção voluntária de uma nova moeda, que aconteceu ao longo de três meses. O Brasil não acordou tendo que se adaptar a uma nova realidade de uma hora para outra, ou sem dinheiro na conta da poupança. A URV, moeda virtual adotada para fazer a conversão dos preços, resolveu a transição para o Real e levou o país, finalmente, para fora do redemoinho da hiperinflação.  

Via G1.
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